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Saúde mental na infância: precisamos falar sobre as crianças.

Foto do escritor: Espaço Hellas
Espaço Hellas
14 de out.
3 min de leitura
Título do texto em arte de foto com fachada do Espaço Hellas

A infância é uma fase determinante na construção de personalidade, habilidades emocionais e autoimagem. Por isso, nada mais justo — e correto — do que dar a ela a devida importância quando o assunto é saúde mental.


Falar de saúde mental na infância vai muito além de abordar transtornos e questões psicológicas geradas por traumas. Também é possível e recomendado que uma criança tenha apoio profissional para seu desenvolvimento saudável, auxílio no controle das emoções e na rotina social.


Mas falar sobre saúde mental na infância ainda causa resistência, principalmente porque alguns responsáveis veem a necessidade de intervenção profissional como “sinal de incompetência”, quando é justamente o contrário.


Por isso, vamos fazer um panorama geral dos principais pontos de reflexão quando o assunto é cuidar da mente dos pequenos.


O ínicio de tudo: a família e as primeiras experiências.


O psicólogo russo Lev Vygotsky foi um pioneiro em estudar a importância das interações sociais e do ambiente no desenvolvimento cognitivo das crianças. Ele defendia que a família, como primeiro contato da criança com o mundo e principal ponto de referência, é a responsável direta pela forma como a criança se comporta, se relaciona e se comunica.


Pensando nisso, é seguro afirmar que a família tem o maior papel quando se trata da formação de uma criança, e embora seu desenvolvimento atravesse diversos meios sociais — a escola, a vizinhança, os espaços de cuidado — é em casa que ela revela e descobre suas emoções, desafios e expressão.


“A criança nasce inserida num meio social, que é a família, e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros.” – Lev Vygotsky

A família é, portanto, espelho para o comportamento psicológico. Os primeiros anos vão construir identidade, formar opiniões e gravar ideias que, muitas vezes, acompanharão uma pessoa pela vida inteira.


Logo, é fundamental criar um ambiente seguro, trabalhar nas relações, ser exemplo positivo e ter papel ativo no direcionamento dessa criança, inclusive no que diz respeito ao acolhimento, a reconhecimentos de quaisquer particularidades e necessidades. E é importante dizer que os pais, cuidadores e responsáveis não devem hesitar em pedir ajuda profissional para isso.


Existem diversos recursos que instruem familiares a lidar com a infância de seus pequenos: cursos, grupos de apoio e profissionais especializados. Se cuidar da infância é responsabilidade do adulto, não quer dizer que ele esteja sozinho nesta missão. E é preciso romper esse tabu.


Transtornos mentais na infância: o que fazer?


Muitos responsáveis ainda resistem em procurar ajuda quando uma criança precisa de acompanhamento profissional. Outras pessoas não acreditam que transtornos como depressão e ansiedade podem se desenvolver mesmo na infância, mesmo quando eles dão sinais:


  • Irritabilidade exagerada e aleatória;

  • Comportamento oscilante, com picos de emoção muito distintas;

  • Dificuldade no sono, alimentação e concentração;

  • Apego excessivo aos cuidadores;

  • Regressão (não querer fazer ou dizer que não sabe fazer tarefas que fazia antes);

  • Dores físicas sem causa médica (chamados de “sintomas psicossomáticos”);

  • Isolamento, agressividade e tristeza persistentes.


Ainda que esses fatores sejam sinais de alerta para a saúde mental da criança, é preciso ficar atento: não se deve impor laudos ou rótulos enganosos às crianças, mesmo porque, muitas oscilações são comuns nos primeiros anos.


Para que uma criança receba um diagnóstico preciso, é necessário acesso a diversos profissionais que podem, em conjunto, analisar sinais e comportamentos e definir as melhores opções de tratamento, caso haja necessidade.


Uma nova geração de crianças: desafios da década.


Novos tempos pedem novas medidas. A geração atual de crianças está exposta a diversos fatores com os quais sua geração de cuidadores não convivia. A tecnologia é um deles.


Agora, o uso das telas é um ponto relevante na formação infantil, e a Sociedade Brasileira de Pediatria desestimula esse acesso em qualquer fase da primeira infância, mas alerta que, para pais que pretendem liberar esse uso, ele deve ser adiado o máximo possível.


Em nosso programa Sessão Hellas, a terapeuta e mestre em educação Cristiane Lenzi Beira falou sobre o uso das telas e o impacto do abuso desse recurso na vida de crianças (e adultos). Confira o vídeo na íntegra:



Saúde mental na infância: afinal, quando buscar ajuda?


Como dito, não é necessário “esperar” para buscar ajuda profissional quando se trata de saúde mental infantil.


Estima-se que 75% dos transtornos mentais em adultos sejam iniciados ainda na infância e adolescência. Metade deles se manifesta até os 14 anos, e muitos requerem atenção primária.


Por isso, quanto mais cedo começar a cuidar, melhor.


Os responsáveis devem estar prontos para auxiliar a criança na jornada da saúde mental, buscando informação de qualidade, apoio profissional e sendo suporte ativo no desenvolvimento. Romper tabus e ficar atento ajuda. Criar um ambiente positivo, com boa comunicação e entendimento, é fundamental.


Só assim, criaremos crianças que se tornam adultos que sabem manejar suas emoções, frustrações e que são verdadeiramente independentes.

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